Como tu alma distante sempre junta ao Porto Chico. Alfonsina lá passou ao mar de fundo criou no trajecto transpirou na dança dos nossos dias as Deusas me acompanham no dizer ao meu viver, libertário.
O barulho das máquinas separa-nos da profundidade. E elas fazem-te gemer em silêncio.
Do toque manso do teu piano que geme dentro dos arvoredos do nosso dizer.
Os instintos que na escuridão começam a nascer buscam o dialogo impossível porque ausente. Até quando?!
Até a lua crescer naquela noite em que o mocho vai bocejar e eu barqueiro.
O barqueiro que transporta as almas para o outro lado do Rio da Morte é eterno. Mas sente esse brilho – sente-o só – ele é mais profundo que esse rio.
Olho-te alma distante novamente a apontar-me de tal viver onde o meu sorriso é vago e distante como tu alma alucinada.
Vejo agora as tuas cores. Há nelas muito luto. Porque é que há sempre uma mulher ao encontro dele.
Sim é verdade a colorida natureza que me alimenta o viver.
São demónios e santos que vivem próximo da água da qual jorram os meus pensamentos.
Na fonte dos amores onde pisámos algumas vezes em tempos de além.
Morcego
1994
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